Pegando carona no Rio Vert Jam
Skatistas locais fazem protesto criativo diante das câmeras no Rio Vert Jam, e denunciam a carência de incentivos no potencial do skate do Rio de Janeiro.
Por Rennê Nunes
PS- O que foi e qual era o objetivo do dia B?
O dia “B” foi mais um dia que deixamos de ficar de braços cruzados e paramos de reclamar do que não acontece no skate do Rio de Janeiro ao nível de eventos e incentivo ao esporte. O objetivo foi fazer um protesto criativo pedindo apoio às empresas - principalmente de skate - que apóiem nosso circuito e nosso projeto social deste ano, o Briza Teen. Basicamente, foi levantar a questão da carência de investimento no potencial do skate carioca.
PS_ Qual a importância do Oi Vert Jam para o skate local aqui do Rio de Janeiro?
Putz… cara, para visibilidade do nosso município e pela beleza do local onde foi feito. Mas, entre os principais atletas, não tinha nenhum skatista carioca exceto o Bob. Temos poucos adeptos na modalidade por falta de espaço para treinar, ou mesmo um half decente. O Oi Vert Jam mostra a imagem da cidade maravilhosa, mas o skate carioca não colhe o retorno disso como deveria. Há quanto tempo rola o Oi Vert Jam? Desde a primeira vez que aconteceu, rolou algum retorno significativo que ajudasse na prática o skate carioca?
PS- Para quem não sabe, explique de forma breve o que é o Briza e como surgiu.
Briza é um brizolão (ciep 339 Mario Tamborideguy) com quadra coberta, localizado no bairro de Irajá. O pico foi descoberto por dois amigos há 13 anos atrás (Léo Gordo e Walace “Yog”). Desde lá, o skate não pára em seus fins de semana. Há quatro anos comecei a organizar uma oficina de skate e um circuito com quatro etapas por ano. Entre 2003 e 2005 o projeto tinha apoio da Unesco e em 2006 mantive somente o circuito em 3 etapas com ajuda de amigos. Estamos com dificuldades de realizar a última etapa, pois estamos sem apoio financeiro de nenhuma marca de skate. Essa também foi uma das razões do dia “B”.
PS- Quais os planos para o Briza em 2007?
Estamos correndo atrás de apoio ou patrocínio para nossa quarta e ultima etapa do circuito Pense Skate, ande no Briza 2006, cujo nome é também uma homenagem à revista Revista Pense Skate. Se não obtivermos apoio até fevereiro, vamos ter que cancelar essa última etapa. Em março, pretendemos iniciar o projeto Escola Aberta do Governo Federal, onde aos sábados a escola abrirá as portas ao esporte e às atividades culturais. Estamos aguardando o Governo Federal viabilizar a verba para iniciarmos o projeto. Essa verba só diz respeito à manutenção dos obstáculos.
PS- Para finalizar, quais as comunidades atendidas pelos projetos do Briza e qual a importância real dessa iniciativa na vida desses garotos?
O Briza fica localizado numa comunidade chamada Para Pedro, onde moro, mas também atende a molecada do Amarelinho, IAPC de Irajá e Coelho Neto. Para essa molecada é o único espaço na região. Após o fim do projeto, os garotos da comunidade param de ir, na verdade os mais carentes que dependiam de skate andavam no meu skate, uns nem tênis tinham. Para eles o Briza é uma forma de lazer que realmente tira eles do ócio, levando responsabilidade, educação e outra visão do local em que residem. Muitos dizem que se tivessem um skate iriam praticar todo dia e deixariam de ficar na rua ou mesmo nos sinais. Com o dia "B" derrepente conseguimos abrir os olhos das marcas para o potencial do skate carioca. A gente quis fazer um protesto legal. Muitos talvez não entenderam, mas estávamos protestando em prol de algo bacana para o skate, saudável. A intenção foi pedir apoio de forma diferente. Foi uma tentativa, o que conseguirmos já está de bom tamanho. Quem sabe rola um apoio. Hoje o skate está mudando e estamos trocando idéias juntos.
Contatos para apoio ou patrocínio:
brizaskateboard@hotmail.com ou brizateen@hotmail.com
www.fotolog.net/brizaskateboard
Veja as fotos do Dia "B", vá ao nosso blog e confira o final dessa entrevista.





