Pegando carona no Rio Vert Jam

Skatistas locais fazem protesto criativo diante das câmeras no Rio Vert Jam, e denunciam a carência de incentivos no potencial do skate do Rio de Janeiro.

Por Rennê Nunes

Tanto quem se encorajou a ir domingo ao Parque dos Patins quanto quem preferiu ver a final do Rio Vert Jam da poltrona  de casa,  viu  algo além dos famosos skatistas verticaleiros em ação. Ali no meio da massa que assistia o evento, havia uma galerinha fazendo muito barulho. Por incrível que pareça, era um barulho que expressava paz, esperança, liberdade, companheirismo, união, amizade e skate na veia. Assim podemos definir o que para a galera do Briza, de Irajá, foi batizado como Dia "B".   Dia de o Briza chamar a atenção de todos através das câmeras.  Dizer bem alto, porém sem áudio, que é um pico que reúne muitos skatistas; gritar baixinho sobre sua importância e alternativa social para a juventude local, cercada por uma violência avassaladora.  Você entendeu o recado do Briza? Não?  Então se liga nessa entrevista realizada com Charles Silva, 25, um dos maiores militantes do skate local aqui no Rio de Janeiro.     Skatista há 10 anos, Frajola - como é conhecido pela galera - dá um belo exemplo de solidariedade e responsabilidade social através de sua luta no Briza, ao mesmo tempo em que abre os olhos para uma carência de incentivo que é uma realidade no cenário do skate carioca.
 
PS- O  que foi e qual era o objetivo do dia B?
O dia “B” foi mais um dia que deixamos de ficar de braços cruzados e paramos de reclamar do que não acontece no skate do Rio de Janeiro ao nível de eventos e  incentivo ao esporte. O objetivo foi fazer um protesto criativo pedindo apoio às empresas - principalmente de skate - que apóiem nosso circuito e nosso projeto social deste ano, o Briza Teen. Basicamente, foi levantar a questão da carência de investimento no potencial do skate carioca.

PS_ Qual a importância do Oi Vert Jam para o skate local aqui do Rio de Janeiro?
Putz… cara,  para visibilidade do nosso município e pela  beleza do local onde foi feito. Mas, entre os principais atletas, não tinha nenhum skatista carioca exceto o Bob. Temos poucos adeptos na modalidade por falta de espaço para treinar, ou mesmo um half decente. O Oi Vert Jam mostra a imagem da cidade maravilhosa, mas o skate carioca não colhe o retorno disso como deveria. Há quanto tempo rola o Oi Vert Jam? Desde a primeira vez que aconteceu, rolou algum retorno significativo que ajudasse na prática o skate carioca?

PS- Para quem não sabe, explique de forma breve o que é o Briza e como surgiu.
Briza é um brizolão (ciep 339 Mario Tamborideguy) com quadra coberta, localizado no bairro de Irajá. O pico foi descoberto por dois amigos há 13 anos atrás (Léo Gordo e Walace “Yog”).  Desde lá, o skate não pára em seus fins de semana. Há quatro anos comecei a organizar uma oficina de skate e um circuito com quatro etapas por ano.  Entre 2003 e 2005 o projeto tinha apoio da Unesco e em 2006 mantive somente o circuito em 3 etapas com ajuda de amigos.  Estamos com dificuldades de realizar a última etapa, pois estamos sem apoio financeiro de nenhuma marca de skate. Essa também foi uma das razões do dia “B”.

PS- Quais os planos para o Briza em 2007?
Estamos correndo atrás de apoio ou patrocínio para nossa quarta e ultima etapa do circuito Pense Skate, ande no Briza 2006, cujo nome é também uma homenagem à revista Revista Pense Skate.   Se não obtivermos apoio até fevereiro, vamos ter que cancelar essa última etapa. Em março, pretendemos iniciar o projeto Escola Aberta do Governo Federal, onde aos sábados a escola abrirá as portas ao esporte e às atividades culturais.  Estamos aguardando o Governo Federal viabilizar a verba para iniciarmos o projeto.  Essa verba só diz respeito à manutenção dos obstáculos.

PS- Para finalizar, quais as comunidades atendidas pelos projetos do Briza e qual a importância real dessa iniciativa na vida desses garotos?
O Briza fica localizado numa comunidade chamada Para Pedro, onde moro, mas também atende a molecada do Amarelinho, IAPC de Irajá e Coelho Neto. Para essa molecada é o único espaço na região.  Após o fim do projeto, os garotos da comunidade param de ir, na verdade os mais carentes que dependiam de skate andavam no meu skate, uns nem tênis tinham. Para eles o Briza é uma forma de lazer que realmente tira eles do ócio, levando responsabilidade, educação e outra visão do local em que residem.  Muitos dizem que se tivessem um skate iriam praticar todo dia e deixariam de ficar na rua ou mesmo nos sinais.   Com o dia "B" derrepente conseguimos abrir os olhos das marcas para o potencial do skate carioca. A gente quis fazer um protesto legal. Muitos talvez não entenderam, mas estávamos protestando em prol de algo bacana para o skate, saudável.  A intenção foi pedir apoio de forma diferente. Foi uma tentativa, o que conseguirmos já está de bom tamanho.  Quem sabe rola um apoio.  Hoje o skate está mudando e estamos trocando idéias juntos.

Contatos para apoio ou patrocínio:
brizaskateboard@hotmail.com  ou  brizateen@hotmail.com
 www.fotolog.net/brizaskateboard 

Veja as fotos do Dia "B", vá ao nosso blog e confira o final dessa entrevista.

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