TÚNEL DO TEMPO 021 SKATE PARK
Saiba mais sobre a história desse importante projeto
Texto por Tio Verde
A Pense Skate conseguiu buscar, com exclusividade, a história da 021 Skatepark, contada por Paulo Rodrigues, seu criador e fundador. Vocês vão viajar no tempo, como eu também viajei, sabendo um pouco mais sobre essa que foi, por muito tempo, a única pista de madeira profissional do Rio de Janeiro.
T.V.- Como foi que surgiu a 021?
P.R - Na verdade eu nem conhecia o Wilson Domingues, só que ele filmava e tinha um projeto, eu filmava e tinha também um projeto. Foi quando um certo dia paramos para trocar idéias, e, por acaso, o nome do projeto dele era 021, o mesmo do meu projeto, aí resolvemos juntar tudo.
T.V.- E a pista 021 Skate Park?
P.R- A idéia surgiu em 2001, numa época em que andávamos e filmávamos na MHS e nas ruas, enfrentando todo tipo de violência que toda cidade grande tem, além das pedras portuguesas. Com o fechamento da MHS, a galera ficou meio sem opção de pista de madeira pra andar, foi quando eu e um grande amigo meu Eduardo Sallada, propietário da Bionic Skate Shop, resolvemos alugar um galpão no Engenho Novo, região do grande Méier. Na verdade, juntaríamos o útil ao agradável: lugar para filmar e andar, sem problemas! Ela foi a primeira pista indoor do Rio de Janeiro.
T.V- Chegou a rolar algum campeonato lá?
P.R- Teve um campeonato lá que foi muito maneiro o Adrenalina /Wave Skateboard” em parceria com a “Chama Violeta”, das maneiríssimas Patrícia e Michele. O champ foi um dos mais importantes na época.
T.V- E como foi que encerrou as atividades da 021?
P.R- Na verdade, eu tive que assumir tudo sozinho, porque o meu sócio Eduardo Sallada estava muito sobrecarregado: o cara tinha a loja, morava na barra e tinha que vir ao Méier, aí ficou meio puxado. Com a inauguração da pista do flamengo, deu uma esvaziada, aí tive que por do próprio bolso, para pagar as contas. Tentei um acordo com o dono do galpão, que por ironia do destino era meu tio, irmão da minha mãe. Ele me ameaçou com um contrato que segundo ele “era fictício”. Na verdade eu não tinha nenhum débito, e ele usou de má fé. Quando cheguei ao galpão, meu tio simplesmente trocou os cadeados, impossibilitando a minha entrada. Ele achava que eu estava ganhando dinheiro e cresceu o olho, só que ele não tinha conhecimento, porque nunca subiu em cima de um skateboard. Ele me obrigou a vender minhas rampas por um valor irrisório, com isso as rampas foram se deteriorando. Foi um tombo sinistro que eu levei. Havia trabalhado muito para construir aquele pico.
T.V - E a pista do Grajaú?
P.R - Bom, em 2002, eu recebi um convite do Grajaú Country Club, para montar uma pista lá dentro. Eu tinha ficado sem o Salada, então resolvi eu mesmo, com recursos próprios montar o 021 lá, num piso de concreto e obstáculos de madeira divididos em 600m2 de puro skateboard. Foi aí que começaram a aparecer os problemas, que na verdade foram dois. O primeiro era o lugar descoberto e, pra piorar, o clube não contribuía com absolutamente nada; e o segundo e maior problema era a vizinhança, que era completamente preconceituosa com o esporte skateboard. Enfim, depois de dois anos resolvi sair de lá.
T.V - Depois disso, qual foi o rumo da 021skatepark ?
P.R- Com todo o problema causado pela vizinhança do Grajaú, decidi levar as rampas para o Barra Square. Com um projeto novo na cabeça, sempre procurando inovar, o 021 do Barra Square era um espaço em que a galera podia treinar em obstáculos profissionais de madeira, que simulavam o que você iria encontrar se estivesse andando na rua! Fizemos um campeonato que você Tio Verde nos ajudou muito, que foi o “Zorba Extreme”.
T.V- Já que o lugar era maravilhoso por que acabou?
P.R- O lugar tinha sérios problemas de escoamento de água, e como o lugar era descoberto, os obstáculos estavam deteriorando rapidamente. Mas o pior foi a ingratidão das pessoas que freqüentavam o lugar. Várias pessoas falavam da minha pessoa sem ao menos saber o meu nome. Os meus projetos sempre foram feitos porque amo andar de skate. Eu já tive vários convites para fazer outras coisas, que com certeza me traria muito mais retorno financeiro, mas isso nunca passou pela minha cabeça. Talvez seja por isso que as pessoas não conseguem entender, então perdi totalmente a vibe de tocar as paradas!
T.V.- então você parou com todos os projetos?
P.R.- Fiquei uns seis meses parado, só me dedicando a uma outra paixão que é filmar. Depois de muita luta conseguimos concluir o novo vídeo da 021 hoje, e faremos uma festa de lançamento do mesmo muito em breve.
T.V- Já que a galera da Pense Skate já sabe com exclusividade da finalização deste novo vídeo, me fala mais sobre ele.
P.R.- A idéia do vídeo foi resgatar imagens da galera que fez a história da 021 de 2002 até 2006. Estarão no vídeo skatistas como Fabiano Besada, Ionir Mera, Emanuel Enxaqueca e Sérgio Garb. O vídeo promete ser um marco e um resgate da história do skateboard do Rio de Janeiro!
T.V- Voltando ao projeto 021 Skate Park, sabemos que hoje ele está no Cittá América. Me fala um pouco sobre isso.
P.R- voltando o projeto do 021 skatepark, hoje estamos no Shopping Cittá América desenvolvendo um trabalho direcionado para a molecada. Eles sim tem prazer de andar na pista, não tem maldade, são puras, saem satisfeitos da session, ou seja, um público mais sincero. Estamos aqui há um ano, e ficaremos aqui até nós e o Cittá quisermos. Eu enxergo esse trabalho que estamos fazendo como um dos mais importantes que já fizemos desde o início, por que na minha opinião, o presente e o futuro do mercado do skateboard do Brasil, depende inteiramente desta geração que estamos trazendo para o esporte. Esta galerinha que sustenta o skate profissional hoje e que de certa forma formará as futuras referências, os futuros nomes de profissionais de skate do Brasil, e que motivará uma outra nova geração, completando assim um ciclo. É assim que enxergo a importância desse trabalho.
T.V- Paulinho, eu queria te agradecer não só por receber a Pense Skate, mas por tudo que você fez em prol do skateboard carioca. Muito obrigado, o site é todo seu.
P.R- Tenho tantas pessoas a agradecer que nunca me lembraria de todas, mas ai vão algumas: Jadson Brian, Ionir Mera, Yan Jyh Wu, Jemerson Procópio, Alethos
Messias, Alan Mesquita, Alessandro Ramos, Igor Rodrigues, Marcello Gouvea, Wilson Domingues, Tio verde e Rennê pelo espaço e a toda equipe
Zerovinteum Skatepark que hoje faz o trabalho acontecer. Aguardem os próximos projetos, ainda temos muitas coisas para realizarmos. Abraço a todos!
Para saber mais sobre a Zerovinteum, acesse o site www.zerovinteum.net










